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Yohann Astakhov, apesar de ele mesmo não saber se esse é o seu verdadeiro nome. Viveu como nômade boa parte da infância e talvez por esse costume viajante sinta-se entediado com extrema facilidade, o que desconta no rum. E nas cabras. É fascinado por sangue. Moralidade e ética distorcidas, segue um pensamento maquiavélico onde os fins justificam os meios. Insano. Calculista. - Telecinese molecular e cura acelerada. [RP - Role Playing - Instituto Alfa]

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Mesmo com uma vida espertamente sobrevivida nas ruas, essa nova vida no Instituto Alfa é algo que ela nunca esperou que existisse no mundo. Pelo menos não nesse. É o tipo de coisa que se vê em filmes, nunca na vida real. Você não sai por aí num passeio amigável de carro, o carro quebra e você tem o poder de levita-lo só com a mente ou o seu passageiro tem visão laser. A Colecionadora vê isso com olhos de uma criança que acabou de nascer e tudo lhe é tão interessante e brilhoso. Ela segurou a garrafa que lhe foi entregue e logo bebeu. Não queria ter que olhar para Cassie, porque saberia que se sentiria mal se o fizesse. Devolveu os óculos sem se opor, ouvindo o discurso tedioso dele. Pelo menos temos rum, pensou, deliciada. Anastasia não seria louca de contradizer o homem. Antes mesmo de ficar sabendo, antes mesmo que ele dissesse, estava bem claro que ele não era um homem normal. Quando ele disse que os dons eram maldições, aí sim, Anya virou o rosto para Cassie e a viu de olhos fechados. Para ela, certamente, deve ser. 

E apesar do papo tedioso e da cara de louco dele (aqueles que a sua mãe te diz milhões de vezes para não falar com, quando no meio da rua), Witte estava gostando das perguntas dele. Oratória era algo que o pai de Anya dava muito valor, e ele fazia ótimos discursos. Conseguia convencê-la de que ela precisava lavar os pratos sem que ela nem percebesse. Até ela crescer um pouco e saber o que ele estava fazendo, é claro. 
Tomou mais um gole do rum, sem cerimônias, balançando a cabeça negativamente. - Tá dizendo que você pode fazer isso? Pode ajudar no poder dela? - Anya perguntou, descrente. O rum está começando a lhe dar coragem demais.  

Estava anoitecendo. Ryan estava em sua sala no I.A. Resolvia alguns problemas burocráticos com o governo, finanças e afins. Bocejou e espreguiçou-se. Olhou pela enorme janela de vidro e pode ver alguns alunos que ainda estavam pelo jardim, alguns sentados lendo, outros simplesmente aproveitando o ar puro, ou até mesmo brincando. Apertou os olhos numa tentativa de tentar enxergar algo a mais. A luz da garagem estava acesa. Ele recordava que a Cassie tinha pedido permissão para mexer nos carros e ele tinha concedido, imaginou que a moça estaria lá. Em pouco tempo já estava no local. Achou estranho, faltava um carro, e por coincidência –ou não-  era o mesmo que a aluna mexera há pouco tempo. –Não deve ter ido muito longe- sussurrou para si mesmo, tinha a mania de falar sozinho. Estava prestes a mandar uma mensagem telepática para a jovem, para isso era necessário localiza-la antes. Feito. Mas espere, Ryan localizou não apenas uma… Três mentes! Na estrada, longe do Instituto e para sua surpresa não eram todos alunos. –Yohann! – a verdade veio como um soco no estomago do Ryan. Um calafrio percorreu seu corpo. Como isso foi acontecer? Suas preciosas ovelhas prestes a ser devoradas por aquele lobo! “Não, não mesmo.” Pensou ele. Simons era muitas coisas, e principalmente protetor –Rebecca que o diga- mexa com ele, pode mexer, mas não chegue perto da sua família nem muito menos de seus alunos. Sem perca de tempo, ele correu para um lugar mais discreto do Alfa e usou sua telecinese e voou.  Voar não era a sua especialidade, de jeito nenhum, porém foi o mais rápido que conseguiu. Antes de chegar ao local, Ryan bloqueou o seu campo psíquico para não ser percebido na sua aproximação. Colocou um campo de ilusão ao seu redor para se camuflar e aparecer “do nada” amava fazer isso. Ficou entre as árvores ouvindo toda conversa, observando aquela cena terrível. A pobre Cassie sem os óculos e temerosa, Anya bebendo! Ryan teve vontade de mata-lo, muita. “Filho da p…” pensou rápido. Aproximou-se devagar e desfez o seu campo ilusório de camuflagem. –Isso não é um assunto que trataremos aqui Cassandra. –Ryan respondeu um questionamento da garota e logo colocou as mãos nos ombros da mesma. –Hum, isso fica com ela, certo? –Assim que terminara de falar, tomou os óculos da mão do Yohann sem ao menos tocá-los, com sua telecinese,  colocando-os no rosto da garota. –Pode abrir os olhos agora querida… – Depois virou-se para a Anya com aquele olhar dele, mas não estava bravo exatamente com ela e sim com aquele maníaco que estava do seu lado. –Eu posso? –Falou apontado para a garrafa de rum que a outra garota segurava, mais uma vez, a tomou. Ele não costumava fazer isso, mas quem o conhecia sabia que estava furioso. Mas sabia disfarçar perfeitamente bem. Passou o nariz próximo na ponta do gargalo e fez uma expressão de nojo. –Isso é do moço aqui… –Devolveu ao Yohann, mas sem tocar. Puxou a Anya para perto dele e se pos na frente das meninas. –Aposto que a conversa estava ótima! –o tom de ironia era escancarado.-, mas temos que ir crianças… –Ele falava com as meninas, mas não tirava os olhos nem por um mísero segundo, da criatura nefasta.

- Digam-me, estão ensinando-lhes bem a lidarem com seus poderes? Ou só o que fazem é com que sejam medíocres e controlem apenas partes insignificantes do que podem mesmo fazer? - A pergunta ecoou na mente de Cassandra. A menina não queria pensar a respeito, porém não foi imune ao veneno de cada palavra de Yohann. Pensou na conversa que teve recentemente com srta. Lively. Era possível aprender mais do que tinha aprendido nesses anos? Talvez.

- Gostarias de ver a lua sem que ela esteja banhada de vermelho, minha jovem? Ou também falaram que é impossível? - Aquilo acertou em cheio a garota. Cassandra não admitia a ninguém o quanto o seu poder a magoava. Tentava ao máximo não demonstrar o quanto o seu poder a magoava. Sentia-se fraca quando alguém a olhava com pena, com o tempo criou uma redoma de vidro em volta de si, jamais deixava transparecer seus medos e inseguranças. E agora, diante de Anya e o Yohann, sentiu-se prestes a chorar. A cada palavra dita por Yohann, sua redoma ia sendo destruída aos poucos.

 - Tá dizendo que você pode fazer isso? Pode ajudar no poder dela? - A pergunta de Anya irritou Cassandra. Lembrou-se das inúmeras vezes que debocharam de seu óculos no colégio. Toda aquela situação não passava disso, um simples deboche, o homem de aspecto sombrio estava apenas zombando de sua fraqueza. 

- Isso é impossível, Anya. - Disse exaltada. Se algo desse tipo fosse realmente possível, Rebecca a teria informado a respeito, certo? A mulher era uma das poucas pessoas do Alfa que sabia o quanto aquilo significava para Cassandra. Mesmo que a jovem não falasse abertamente sobre isso. Sentiu-se insegura. - Não é? - Esperou por alguma resposta de Yohann. Seria possível? Enxergar o mundo, encarar os olhos das pessoas e andar pela cidade sem receber olhares estranhos ou piadas estúpidas. Assustou-se com um barulho vindo de um dos lados da floresta. Sentiu um alívio imediato quando ouviu a voz de Ryan. 

- Até que enfim. - Murmurou para si mesma. - Isso não é um assunto que trataremos aqui Cassandra. - A menina concordou em silêncio. Queria cobrar inúmeras explicações de Ryan, porém não era o local e nem a hora para isso. E se Yohann estivesse certo? De certo modo, seus poderes estavam sendo limitados, ao aceitar de livre e espontânea vontade ser rejeitada pela sociedade. Poderia fazê-los entender de outro modo. Com o seu poder. O Alfa era o único local onde os mutantes poderiam viver em paz. Ele era ao mesmo tempo uma salvação e prisão. Cassie abriu os olhos novamente e viu Ryan e Yohann. Anya estava ao seu lado. Desejou não por a culpa daquela situação em Anya. Mas foi em vão. Desviou o olhar da menina e encarou o chão.

Tá dizendo que você pode fazer isso? Pode ajudar no poder dela? - sorrio ao perceber a petulância na voz da garota. Pelas vezes que entornou a garrafa de rum sem receio algum, não é a primeira vez que bebe algo com teor alcoólico. Interessante.
- Você pode levantar um automóvel do chão e ainda tem dúvidas sobre o que é ou não é possível? - questiono, sem dar uma resposta direta. Ah sim, essa caminhada me proporcionou uma diversão fascinante. Não apenas uma, mas duas jovens mutantes com poderes distintos cruzaram meu caminho. E sei reconhecer quando há potencial. De fato, essas duas merecem mais atenção do que apenas uma lâmina cortando-lhes a garganta. Apesar de ser tentador. Posso ver que Cassandra está tensa, certamente considerando cada palavra minha. Será que deve confiar num homem que sempre lhe ensinaram a temer? 

- Isso não é um assunto que trataremos aqui Cassandra. - o sorriso some completamente de meu rosto ao ouvir aquela voz. Não gosto de ser pego de surpresa, ainda mais por ele. Essa habilidade de ocultar a própria presença é deveras irritante, porém sou obrigado a admitir que foi uma entrada digna. O homem logo se coloca no comando da situação e afasta as jovens de mim. - Sempre um estraga prazeres, garoto. - não me importa se ele é um adulto ou não, tempo é irrelavante para mim. Ele devolveu os óculos para a garota e tirou a garrafa de Anastasia. Fez até mesmo uma expressão de desgosto ao perceber o que era o conteúdo da garrafa. - Isso é do moço aqui… - Sempre tão correto, não sei como essas crianças aguentam mais do que poucas horas no Instituto Alfa. Falta de opção, certamente. O mundo não as quer.

- Pois bem, o oficial da liberdade condicional de vocês chegou. - declarei, encarando-o. - Podem ir, o que estão esperando? - apressei-os com um sinal de mão. Perdi o interesse agora que ele está aqui. Uma luta? Fora de cogitação, qual seria o benefício? As duas meninas se engajariam e eu provavelmente teria que machucá-las, o que não seria totalmente uma pena, mas ainda assim um desperdício. - Se ainda estiver interessada em minha proposta, pode tentar encontrar-me neste mesmo local. - olhei para Cassandra com um sorriso dissimulado. - E é sempre um prazer ter companhia para beber. - não uma verdade completa, mas saudei Anastasia erguendo um pouco a garrafa de rum.

(via flash-eyes-deactivated20120405)

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Anya estava de novo entediada. Tinha deixado o quarto para procurar algo mais interessante de se fazer do que dormir (e isso toma boa quantia de forças da jovem), tinha achado que irritar Cassie bastaria; não bastou. Pegaram o carro e ele acabou sendo uma decepção que morreu no começo do caminho. E agora tinha que estar tendo aquela conversa robótica com Cassandra, que não facilitava para a Colecionadora. 

Uma voz se anuncia e Anastasia sente um frio lhe percorrer. Vira de costas, mas não vê ainda quem está falando. Quando ele aparece, Anya abre bem os olhos com curiosidade. “Wow”, é tudo no que ela consegue pensar. Ele tinha um aspecto de louco, muito assustador, e mesmo assim ela estava animada com a mudança no plano de andar em segurança até o Alfa. Ele aproximou-se de Cassie. A Colecionadora não temeu que ele fosse fazer algo ruim, até que tirou os óculos da colega. Anya estava curiosa para saber o que aconteceria e com medo ao mesmo tempo. Então ele virou para falar com ela, que estava paralizada. Anastasia segurou os óculos, a mão levantava por puro pavor. Ela não fazia ideia de quem aquele homem era, mas ele era incrível. 
- Com certeza! - Aparentou ser desperta quando ele lhe oferecera a garrafa do que parecia ser rum (se o olfato dela não estivesse errado) para Anya. Avançou na direção do mesmo sem pensar duas vezes. - Quem é você? - Perguntou, tola. Anya se deixa levar pelo momento com muita frequência. 

Assustou-se com a presença repentina de uma terceira pessoa no local. Cassandra observou apreensiva o homem sair das sombras com uma aparência nefasta, o que a fez dar dois passos para trás. O que ele fazia ali? A resposta veio com uma afirmação que congelou sua espinha. Maldita hora que decidiu usar seu poder, estava claro que aquilo atrairia a atenção de quem quer que fosse. 

Cassandra estava prestes a questioná-lo quando sentiu seus óculos serem removidos. - Eu manteria os olhos fechados se fosse você. - A voz dele era leve e sombria. Resistiu ao impulso de abrir seus olhos, Cassie não possuia sentidos tão aguçados como Anya e não iria por a vida da garota em perigo. Permaneceu imóvel, ouviu o seu coração bater cada vez mais rápido e pro´prio som de sua respiração. Tentou manter-se calma. A situação não era favorável para as duas meninas e, no momento, a calma era crucial.

Ouviu a conversa surreal de Anya com o desconhecido. - Quem é você? - Quem era ele? Por que estava na floresta a essa hora? Estava muito escuro e Cassandra não conseguiu distinguir as feições do homem. Até porque não teve tempo o suficiente, visto que o mesmo tomou a liberdade de retirar seu óculos. Lembrou-se vagamente dos cabelos desgrenhados e da palidez de sua pele. Essas foram as únicas coisas que conseguiu absorver daquele homem. 

- Merda. - Murmurou. A verdade veio como um soco em seu estômago. Floresta, sozinhas, cabelos desgranhados, pálido e sombrio. Pensou que seria apenas uma brincadeira de Rebecca e Ryan para impedir os meninos mais novos de irem até a floresta. Bem, agora não parecia uma brincadeira. Aquele homem só poderia ser Yohann Astakhov.

Sorrio interessado quando garota de cabelos muito negros aceita minha oferta e entrego-lhe a garrafa de bom grado, coisa que não faço normalmente visto que não gosto dividir meu precioso rum que há muito me salva do tédio. Porém hoje o momento pede por uma exceção. Termino minha bebida e o questionamento inevitável me é feito.

- Essa… - dou uma pausa antes de continuar num tom baixo de conspiração - … é uma pergunta excelente. - Quem sou eu senão mais um andarilho por este vasto mundo? Pego os óculos deixados com a garota e falo próximo a ela. - Nomes são poderosos, querida. - Ponho-me a andar até a outra garota, visivelmente consternada.
- Sou como vocês. Alguém cujos dons são tratados como maldições pelos que temem o desconhecido. - Posso ver seu pescoço tencionado e as veias trabalhando incessantemente devido a sensação de perigo.
- Mas se quiser mesmo saber, pode perguntar para a jovem Cassandra, aqui. - Nunca a vi, mas não foi difícil associar o nome ao poder e breve resumo de personalidade presentes nas listas que a intocável Quinn traz para mim. Ela tem feito um bom trabalho, mas sei que estar rodeada pelos jovens não a contenta. Porém a maestria com que me passa informações é de extrema importância, apesar de outros planos também correrem minha mente. Tudo ao seu tempo.

- Digam-me, estão ensinando-lhes bem a lidarem com seus poderes? Ou só o que fazem é com que sejam medíocres e controlem apenas partes insignificantes do que podem mesmo fazer? - a pergunta foi para ambas, mas, enquanto falo, olho diretamente para a jovem que ficou com minha garrafa.
- Gostarias de ver a lua sem que ela esteja banhada de vermelho, minha jovem? - pergunto para Cassandra, há tanto tempo aprisionada pelas lentes rubras do óculos. - Ou também falaram que é impossível? - instigo, semeio.
- Por ventura a tua amiga possui alguma objeção? Curiosidade? - viro-me calmamente de volta para a outra, o sorriso de deleite brincando em meus lábios.

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Isso foi incrível, Anya. Sério. Pensei que seus poderes se resumiam em soltar bolas de pêlo e sair rolando pela mansão com um novelo.“ 
- Ha, ha, ha. - A Colecionadora riu, desgostosa. Só agora percebia que tinha se animado demais na apresentação dos seus poderes. É isso que dar sair sem ter se alimentado o suficiente. Devia ter dado uma passadinha na cozinha antes de descer para a garagem, mas agora já era. As duas tinham uma boa viagem de volta para o Alfa, sozinhas, no escuro. Não exatamente no escuro já que tinham a “tocha” que Cassandra fez, mas mesmo assim. Anya a encarou, com um olhar que pedia desculpas, quando a mesma perguntou se poderia levar o carro até a mansão. Ela poderia tentar, mas isso a deixaria exausta. E Anastasia odeia ter que fazer esforço físico. Ou esforço mental que prejudica o físico - o que tem um resultado ainda pior de três dias de coma, babando na cama e roncando muito alto. 

Vem, antes que um pequeno garotinho se dê conta da sua ausência e encha o saco de todos no Alfa com perguntas.” Anya riu outra vez, mas nesta foi com sinceridade. Se o garoto estivesse aqui, era capaz que isso ficasse ainda mais perigoso. E talvez mais engraçado. As perguntas são legais, a curiosidade é legal e não faz mal algum. Fora que ela adora ser um mistério para alguém. 

- Você consegue ficar sem óculos? - Era uma pergunta meio idiota, mas ela não queria ficar calada agora. Cassandra tinha essa fama de quem engole todo mundo e não fala com ninguém, e Anya agora se sentia vitoriosa por tê-la feito até sorrir e dar um tempo na cara fechada. - Ele não é de grau, é? - Se fizesse mais uma pergunta, se sentiria na pele do guri curioso. Sorriu e abaixou o rosto.
- Foi mal. Isso é tudo novo demais pra mim. - Há duas semanas atrás, ela não fazia ideia de que era uma mutante. E muito menos de que existitam outros como ela. Continuaram a caminhada de volta para a mansão. Anastasia sentia uma vontade imensa de pedir para provar o óculos de Cassie. 

Depois de alguns minutos caminhando, Cassie podia jurar que estavam próximas ao Instituto, mais alguns minutos e estariam a salvo. Desviou o olhar quando ouviu a pergunta de Anya. Sempre perguntavam isso. Cassandra rolou os olhos irritada e ignorou a questão, continuou caminhando como se nada tivesse ocorrido. Aprendeu a agir dessa maneira sempre que mencionavam os seus óculos. 

- Ele não é de grau, é? - Cassie parou bruscamente. Fechou os olhos e contou até dez, em seguida, virou-se em direção a outra garota. - Foi mal. Isso é tudo novo demais pra mim. - O sentimento de irritação amenizou um pouco. Lembrou-se de quando chegou ao Alfa, agia quase da mesma forma com exceção das perguntas óbvias e sem sentido. Era bom ver que não estava sozinha no mundo. Quer dizer, ela sabia que tinham outros como ela e o seu pai por ai, porém nunca tinha visto outros. Cassandra rolou os olhos e olhou inexpressiva para Anya.

- Sem problema. Não posso e nem consigo ficar sem eles. - Respondeu de maneira automática. Já ouviu tantas vezes essa pergunta que a resposta já estava gravada em sua mente. Saia de forma automática da mesma forma que decorava as fórmulas de física e química. Aquela pergunta a fez lembrar dos raros momentos em que tentou ficar sem o óculos. Sentiu-se mal com aquilo e decidiu que já estava sendo simpática demais com Anya.

- Estamos perdendo tempo aqui. Já está escuro. - Deu as costas para Anya e apressou os passos em direção a mansão. Não queria responder mais nada, apenas ignorar o frio que estava sentindo e chegar logo ao Alfa o quanto antes. Odiaria passar a noite fora. Isso poderia gerar sérios problemas tanto para Cassandra quanto para Anastasia. Sabe Deus o perigo que estavam correndo na floresta e os sermões que ouvirão de Rebecca. 

Caminho só. O clima fica mais gélido à medida que a noite chega e me afasto da cabana. Inspiro, enchendo meus pulmões com o ar leve vindo da floresta. Vasculho as árvores com o olhar e imagino quais mistérios estariam escondidos, apesar de já saber a resposta. Eu mesmo sou um deles. A garrafa de rum aberta, porém intocada, acompanha-me neste passeio. Não posso deixar de admitir que estou entediado. O sangue de duas cabras que escorreu por entre meus dedos esta manhã não tive o efeito que costumava num passado não tão distante. Sim, ainda sinto-me revigorado pelo líquido quente esvaziando o corpo inerte do animal, mas há algo faltando. O êxtase não é o mesmo.

Um faixe de luz avermelhada ilumina a escuridão, tornando-se depois apenas um ponto brilhante em meio a floresta. Uma descarga de adrenalina percorre meu corpo e sou atraído para mais próximo do local. Protegido pela escuridão e pelos troncos espessos das árvores, observo uma cena incomum. Um sorriso com escárnio surge em meu rosto. Quem diria que ovelhas tão talentosas cruzariam meu caminho hoje? Ou que eu cruzaria o delas. Saio de meu esconderijo e me aproximo, porém a sombra ainda é minha amiga.

- Belíssimo show de luzes, minha cara. - parabenizo-a em alto e bom som, minha voz grave distoando daquele cenário. Finalmente me aproximo o suficiente para que a tocha possa me iluminar. Percebo a manga rasgada da blusa da jovem e o pedaço de pano em chamas no galho. - Criativo. - admito, não são muitos adolescentes que sacrificariam uma roupa para fazer um dispositivo útil na hora de necessidade. Chego mais perto dela e dessa vez minha voz sai num sussurro. Toco seus óculos.
- Eu manteria os olhos fechados se fosse você. - sorrio e retiro os óculos com as pontas dos dedos. Correrá o risco de usar seu poder e acertar a colega?

- Não estás pensado que irei ignorá-la, não é? - dessa vez dirijo-me à outra garota. - É um carro bem pesado. - adicionei, deixando claro que vi a exibição de seu poder. Vou até ela a passos lentos, crente de não tentará uma fuga no momento. O medo paralisa, porém a curiosidade também. Qual deles será? Balanço a garrafa de rum em sinal amistoso.

- Segure isto, sim? - entrego os óculos para ela e volto minha atenção para o rum. Viro a garrafa no ar como se fosse desperdiçar o líquido tão valioso, porém ele nunca chega ao chão. O rum para no ar como se preso numa taça invisível. Levo a mão vazia até a suposta taça experimento um gole. Ofereço a garrafa para garota de cabelos negros ao meu lado.
- Estás servida? - pergunto tranquilamente, como se aquela fosse uma cena corriqueira. 

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Em meus anos vagando sem rumo certo encontrei muitos como eu. Não exatamente iguais a mim, porém indivíduos dotados de talentos considerados fora do normal.  Levitação, clarividência, teletransporte. No estágio em que estavam, entretanto, nenhum deles chamou minha atenção. Poderiam lapidar seus poderes, é verdade, mas eu não tinha paciência para assistir a esse progresso. Sou um viajante, um andarilho em meio a mais de seis bilhões de pessoas. Era preciso estabelecer contato com as que fossem relevantes. Encontrar os descontentes com a ordem em vigor.
Ainda assim, encontrei-me fazendo um estoque de rum. Uma ação com a qual eu não estava acostumado visto que mantinha apenas o número de garrafas necessário para permanecer – no máximo – dez dias antes de seguir viagem. Era a quinta vez em que me hospedava naquela casa rodeada por nada mais que árvores, esquecida pelo progresso; o proprietário não via a hora de se livrar daquele “pedaço de terra amaldiçoado” como chamava o local que herdara. Uma jovem morreu de forma brutal havia décadas pelas mãos de um rapaz possuído pelo demônio. Não foi difícil descobrir que o infeliz acidente ocorrera devido ao descontrole de um rapaz mutante, porém a história correu. Transformou-se em lenda. Ninguém ousava duvidar.O fato de um certo Instituto não ser tão distante dali não auxiliava também.
Retalhos de luz solar eram filtrados pelas copas das árvores e pontilhavam a trilha. No interior da floresta, havia pouca luz e os brotos lutavam para crescer em meio à penumbra esverdeada. Meus pés trilharam o caminho conhecido até a margem do riacho. Não importava o quão longe eu fosse, mesmo que para outros países, acabava voltando para aquele ponto. Memórias. Um mero toque e senti minha energia vital se esvaindo naquele dia; tanto poder numa garota tão assustada. Sanguessuga. Intocável. Imagino se é assim que uma pessoa se sente ao morrer por hemorragia, enfraquecendo ao poucos enquanto perde o líquido precioso da vida. Deixei-a viver, uma habilidade como aquela era digna de ser deixada no mundo. Ainda mais se presa a mim por laços de dívida.
Esvaziei os pulmões. Hoje as cabras terão um descanso. Uma pessoa a menos respirará até o final do dia.
Voltei a cidade para comprar mais rum. É final de tarde e as pessoas passam por mim apressadas, cada qual por um motivo próprio. Pagar as contas, voltar a tempo para o jantar, fazer a janta. Uma garota com roupas de segunda mão passa despercebida aos olhos de muitos. Ela segue um homem até uma travessa pouco movimentada, péssima escolha para um atalho. Mais uma batida de carteira como inúmeras outras, se ele não houvesse reagido. A faca penetrou por entre as costelas e ele caiu devagar. A garota percebeu que eu fora testemunha. Ela teria que fazer mais uma vítima. 
Estávamos de volta a floresta, eu e a minha mais nova amiga desacordada. Espero pacientemente que recupere a consciência. Quando abre os olhos, percebe que algo está errado antes mesmo de sentir as amarras. Não que eu precise de cordas para mantê-la parada, é apenas um luxo para que eu não tenha que me preocupar com aquilo durante a … diversão. A caçadora virou caça. E sabia daquilo. Toco sua garganta e ela respira fundo. Não deixa o ar sair enquanto eu percorro com a ponta dos dedos a lateral do pescoço traçando o curso da artéria carótida. Movo sua cabeça para trás deixando em evidência a frente do pescoço.
A parte mais delicada e vulnerável; na garganta pulsa vida. Passa o ar. Porém não é chegado o momento. Não ainda. Deixo que abaixe o pescoço e faço uma faca levitar até minhas mãos. Ainda tem sangue impregnado, sangue do homem morto pela jovem. Sinto sua pulsação aumentar e ela arregala os olhos para o objeto flutuante. Percebo um lampejo de admiração e medo. Ah, o inesperado. Encaro-a e não deixo que desvie os olhos. Quero ver o horror em sua alma. Exibo a faca e pressiono contra sua pele. Não corto.
Ela se debate como um peixe fora d’água e tenta livrar-se das cordas desesperadamente. Não, não é isso que eu quero. Com um leve estalar de dedos faço os ossos de seu pulso se estilhaçarem. As mãos ficam penduradas inertes. O que poderia ser apenas uma execução simples tornara-se tortura. Deixo-a ali até que não tenha mais forças para gritar. Tomo um gole demorado de rum.
Está mais uma vez quieta. Submissa. Ela abre os olhos e me vê. Percebo que finalmente entende e aceita. A dor é tanta que a menina suplica para que eu a mate. Aproximo-me mais uma vez. Faço um sinal para que ela mesma jogue a cabeça para trás e deixe a garganta a mostra; obediente, ela o faz.
Toco sua pele e sob meu dedo sinto seu suor. A pulsação lateja, levantando a pele em tremores ritmados pelo coração. Solto as amarras sem nem precisar tocá-las. A garota, apesar de livre, permanece estática. Encaro-a pela última vez e ela compreende. Fecha os olhos. Pressiono a lâmina contra o pescoço da jovem e faço um corte profundo na garganta. Uma fonte de sangue quente jorra em meu rosto agora sorridente.
A garota está viva, olhos revirando em horror enquanto sangue espirra em jatos compassados. O corpo humano contém cinco litros de sangue e leva muito tempo para tal volume ser jogado para fora por apenas uma artéria rompida. Enquanto seu coração bater, o sangue sairá. Pelo menos durante alguns segundos, talvez até um minuto, o cérebro funciona. Os membros, agora não mais presos, se debatem. O olhar da jovem perde o foco. O sangue lentamente para de jorrar e se estabiliza numa grande poça. Braços e pernas jazem inertes.
É hora de cobrar uma dívida.

Em meus anos vagando sem rumo certo encontrei muitos como eu. Não exatamente iguais a mim, porém indivíduos dotados de talentos considerados fora do normal.  Levitação, clarividência, teletransporte. No estágio em que estavam, entretanto, nenhum deles chamou minha atenção. Poderiam lapidar seus poderes, é verdade, mas eu não tinha paciência para assistir a esse progresso. Sou um viajante, um andarilho em meio a mais de seis bilhões de pessoas. Era preciso estabelecer contato com as que fossem relevantes. Encontrar os descontentes com a ordem em vigor.

Ainda assim, encontrei-me fazendo um estoque de rum. Uma ação com a qual eu não estava acostumado visto que mantinha apenas o número de garrafas necessário para permanecer – no máximo – dez dias antes de seguir viagem. Era a quinta vez em que me hospedava naquela casa rodeada por nada mais que árvores, esquecida pelo progresso; o proprietário não via a hora de se livrar daquele “pedaço de terra amaldiçoado” como chamava o local que herdara. Uma jovem morreu de forma brutal havia décadas pelas mãos de um rapaz possuído pelo demônio. Não foi difícil descobrir que o infeliz acidente ocorrera devido ao descontrole de um rapaz mutante, porém a história correu. Transformou-se em lenda. Ninguém ousava duvidar.
O fato de um certo Instituto não ser tão distante dali não auxiliava também.

Retalhos de luz solar eram filtrados pelas copas das árvores e pontilhavam a trilha. No interior da floresta, havia pouca luz e os brotos lutavam para crescer em meio à penumbra esverdeada. Meus pés trilharam o caminho conhecido até a margem do riacho. Não importava o quão longe eu fosse, mesmo que para outros países, acabava voltando para aquele ponto. Memórias. Um mero toque e senti minha energia vital se esvaindo naquele dia; tanto poder numa garota tão assustada. Sanguessuga. Intocável. Imagino se é assim que uma pessoa se sente ao morrer por hemorragia, enfraquecendo ao poucos enquanto perde o líquido precioso da vida. Deixei-a viver, uma habilidade como aquela era digna de ser deixada no mundo. Ainda mais se presa a mim por laços de dívida.

Esvaziei os pulmões. Hoje as cabras terão um descanso. Uma pessoa a menos respirará até o final do dia.

Voltei a cidade para comprar mais rum. É final de tarde e as pessoas passam por mim apressadas, cada qual por um motivo próprio. Pagar as contas, voltar a tempo para o jantar, fazer a janta. Uma garota com roupas de segunda mão passa despercebida aos olhos de muitos. Ela segue um homem até uma travessa pouco movimentada, péssima escolha para um atalho. Mais uma batida de carteira como inúmeras outras, se ele não houvesse reagido. A faca penetrou por entre as costelas e ele caiu devagar. A garota percebeu que eu fora testemunha. Ela teria que fazer mais uma vítima. 

Estávamos de volta a floresta, eu e a minha mais nova amiga desacordada. Espero pacientemente que recupere a consciência. Quando abre os olhos, percebe que algo está errado antes mesmo de sentir as amarras. Não que eu precise de cordas para mantê-la parada, é apenas um luxo para que eu não tenha que me preocupar com aquilo durante a … diversão. A caçadora virou caça. E sabia daquilo. Toco sua garganta e ela respira fundo. Não deixa o ar sair enquanto eu percorro com a ponta dos dedos a lateral do pescoço traçando o curso da artéria carótida. Movo sua cabeça para trás deixando em evidência a frente do pescoço.

A parte mais delicada e vulnerável; na garganta pulsa vida. Passa o ar. Porém não é chegado o momento. Não ainda. Deixo que abaixe o pescoço e faço uma faca levitar até minhas mãos. Ainda tem sangue impregnado, sangue do homem morto pela jovem. Sinto sua pulsação aumentar e ela arregala os olhos para o objeto flutuante. Percebo um lampejo de admiração e medo. Ah, o inesperado. Encaro-a e não deixo que desvie os olhos. Quero ver o horror em sua alma. Exibo a faca e pressiono contra sua pele. Não corto.

Ela se debate como um peixe fora d’água e tenta livrar-se das cordas desesperadamente. Não, não é isso que eu quero. Com um leve estalar de dedos faço os ossos de seu pulso se estilhaçarem. As mãos ficam penduradas inertes. O que poderia ser apenas uma execução simples tornara-se tortura. Deixo-a ali até que não tenha mais forças para gritar. Tomo um gole demorado de rum.

Está mais uma vez quieta. Submissa. Ela abre os olhos e me vê. Percebo que finalmente entende e aceita. A dor é tanta que a menina suplica para que eu a mate. Aproximo-me mais uma vez. Faço um sinal para que ela mesma jogue a cabeça para trás e deixe a garganta a mostra; obediente, ela o faz.

Toco sua pele e sob meu dedo sinto seu suor. A pulsação lateja, levantando a pele em tremores ritmados pelo coração. Solto as amarras sem nem precisar tocá-las. A garota, apesar de livre, permanece estática. Encaro-a pela última vez e ela compreende. Fecha os olhos. Pressiono a lâmina contra o pescoço da jovem e faço um corte profundo na garganta. Uma fonte de sangue quente jorra em meu rosto agora sorridente.

A garota está viva, olhos revirando em horror enquanto sangue espirra em jatos compassados. O corpo humano contém cinco litros de sangue e leva muito tempo para tal volume ser jogado para fora por apenas uma artéria rompida. Enquanto seu coração bater, o sangue sairá. Pelo menos durante alguns segundos, talvez até um minuto, o cérebro funciona. Os membros, agora não mais presos, se debatem. O olhar da jovem perde o foco. O sangue lentamente para de jorrar e se estabiliza numa grande poça. Braços e pernas jazem inertes.

É hora de cobrar uma dívida.

Call it curse I call it gift

quinn-lively:

“Sanguessuga”, antes de ter sido abraçado por Quinn como seu codinome, era um apelido que lhe seguia durante todas as aulas, todas as refeições e até nos momentos de recreação (senão principalmente neles). A infância dela fora repleta de sombras.

Nas aulas de defesa e ataque básicos, ninguém queria se arriscar a fazer dupla com ela e, na boa maioria das vezes, até os professores temiam o toque faminto da pequena e aparentemente indefesa Quinn. Assim que chegou, todos já sabiam como ela havia “abatido” a aluna que tentara lhe machucar no orfanato e o medo se espalhou dentre os muros do Alfa, mais uma sombra a perseguir a menina solitária, que vagava de uma sala para a outra quando alguém deixou sair um comentário sobre ela às suas costas, que terminava com não um, mas três repetições debochadas do não-requisitado apelido. Quinn, que nunca fora a mais afortunada em combates frontais, apenas correu. Arrancou as luvas que sempre usava (até para dormir) e deixou os livros abandonados em algum lugar entre as salas de aula e um desinformado aluno com quem batera de frente. O menino caiu tonto no chão, mas bem. Quinn, que sempre sabia o poder de alguém quando tocava nele, pois esse era temporariamente passado para ela, viu uma oportunidade de ouro. Com a intangibilidade do menino, passou facilmente pelos muros do Alfa e se viu no meio da floresta que cerca o Instituto, correndo sem parar. Ninguém nunca lhe encontraria.

Não poderia estar mais errada. 
Essa fuga precipitada aconteceu meses após ter chegado ao Instituto e a adaptação não estava sendo das melhores. Seu poder não era dos melhores e ela era forçada a usar aquelas luvas horríveis para manter os outros alunos a salvo. Não lhe tinham dito isso, mas Quinn não era burra. Sabia que tinham medo que ela tocasse sem querer em alguém e lhe matasse. Bom, ela não é idiota. Sabe muito bem o perigo que é para os outros e por isso foge.
Fugia, pois deu de frente com uma imagem até um tanto cômica: um homem conversando (era o que parecia na visão dela) com uma cabra. A cabeça dela descansava calmamente sobre a palma da mão dele, que tinha um sorriso um tanto assustador no rosto. 

Ele levantou o queixo devagar demais, suave demais ao encarar a pirralha. Assemelhava-se que era assim que ele a via, antes de um segundo sorriso aparecer. A cabra caiu deitada, dormindo, no chão e ele se aproximou, outra vez devagar. Parecia que flutuava no seu modo de se mover. Quinn não teve medo. Esperava a cabra se levantar e sair saltitando, mas isso nunca aconteceu.
- Por que choras? - a voz entoada fez Quinn dar um passo para trás, por respeito.
- Porque todos tem medo de mim. Eu sou perigosa - eles me chamam de sanguessuga. - a menina sentia que ele era parecido com ela em algum nível, mesmo que ele emitindo uma onda superior a sua, mais forte, mais presente. 
Ele se abaixou para ficar na mesma altura da magricela e tocou em seu rosto, retesando a mão no mesmo instante.
- Use o medo deles. Faça-os te respeitar. Você tem muita força. - ele se levantou para sair, mas Quinn segurou forte seu braço desprotegido, vendo o sangue em sua mão antes de ser acertada por vários flashes repletos de vermelho, gritos, muita dor e, finalmente, o preto.  

Quando tudo clareou outra vez, tinha a cabeça deitada sobre algo macio e felpudo. A cabra dorminhoca. Não entendia o que havia acabado de acontecer, sua cabeça doía como nunca e tinha algo novo, mas ela não tinha certeza do que era.
Levantou o rosto e viu o homem lavando as mãos num riacho. Lembrou que tinha tocado nele. Por muito tempo. Então como ele ainda estava vivo? 
- Eu estou te deixando viver apesar do que eu sei que você viu e do que você roubou de mim. Um dia esse favor vai ser devolvido. Preste bem atenção, eu sempre cobro. Quando você menos esperar. - Quinn prestava atenção, mas não sabia como aquilo era possível. Tentava assimilar o que acontecera, sendo interrompida quando ele fez o pulso dela se levantar sem nem se aproximar. Quinn sentia apenas o olhar vidrado dele. E então apareceu uma adaga que fez um corte irregular em seu pulso, parecendo uma cobrinha. Antes de começar a sangrar, o corte se fechou, formando uma cicatriz que ardia demasiadamente. A menina piscou, descobrindo que  tinha sido isso que havia roubado dele e esse tinha sido o motivo pelo qual ele tinha conseguido sair vivo depois de um toque tão demorado dela, que agora estava maravilhada. 
- Te encontrarei. - houve outra frase, mas a dor na cicatriz lhe fez fechar os olhos e os sentidos com força, ignorando o que ele dissera e perdendo sua saída. Estava sozinha no meio da mata, com uma mancha enorme de sangue de cabra pelos cabelos e pela roupa e não se importava. 

Duas horas depois, um time de resgate do Alfa lhe encontrou, no mesmo local. Quinn nunca tinha mentido antes, mas o fez com maestria. Ninguém nunca soube o que realmente houve aquele dia.

(Source: kathryn-s)

Os astecas acreditavam que a morte era necessária para que houvesse vida. Os deuses precisavam receber sacrifícios humanos periodicamente para que o Sol continuasse a nascer e catástrofes não abatessem o povo. É assim que eu me sinto em relação ao sangue; A cada artéria rompida, um sopro de poder percorre meu corpo. A perda deles é o meu ganho. Homo sapiens superior é como nos generalizam, porém somos os mais diversos. Eles é quem são geneticamente semelhantes. Derramar o sangue de mais um não trará desequilíbrio.
Um ser humano de estatura mediana e aproximadamente setenta quilos possui apenas cinco litros de sangue. Trinta e três por cento desse volume é formado de células tais como hemácias, leucócitos e plaquetas. O restante é plasma, uma mistura química composta em sua maioria por água. Reduzi-lo aos seus elementos básicos não é privá-lo de sua natureza divina, pelo contrário, é observando esses componentes mais simples que reconhecemos suas propriedades fantásticas. Os antigos consideravam o sangue uma substância sagrada e eu compartilho esse fascínio, embora reconheça que é meramente um fluido biológico. Entretanto, há algo místico relacionado ao líquido vermelho. 
Duas, três cabras por dia não me satisfazem mais. O que antes me ocupava agora não passa de algo mecânico. Assistir a vida de um animal esvaindo-se numa poça rubra não é o suficiente. Preciso de mais.

Os astecas acreditavam que a morte era necessária para que houvesse vida. Os deuses precisavam receber sacrifícios humanos periodicamente para que o Sol continuasse a nascer e catástrofes não abatessem o povo. É assim que eu me sinto em relação ao sangue; A cada artéria rompida, um sopro de poder percorre meu corpo. A perda deles é o meu ganho. Homo sapiens superior é como nos generalizam, porém somos os mais diversos. Eles é quem são geneticamente semelhantes. Derramar o sangue de mais um não trará desequilíbrio.

Um ser humano de estatura mediana e aproximadamente setenta quilos possui apenas cinco litros de sangue. Trinta e três por cento desse volume é formado de células tais como hemácias, leucócitos e plaquetas. O restante é plasma, uma mistura química composta em sua maioria por água. Reduzi-lo aos seus elementos básicos não é privá-lo de sua natureza divina, pelo contrário, é observando esses componentes mais simples que reconhecemos suas propriedades fantásticas. Os antigos consideravam o sangue uma substância sagrada e eu compartilho esse fascínio, embora reconheça que é meramente um fluido biológico. Entretanto, há algo místico relacionado ao líquido vermelho. 

Duas, três cabras por dia não me satisfazem mais. O que antes me ocupava agora não passa de algo mecânico. Assistir a vida de um animal esvaindo-se numa poça rubra não é o suficiente. Preciso de mais.