Help me God! @коллектор x Flash eyes x The Butcher
Mesmo com uma vida espertamente sobrevivida nas ruas, essa nova vida no Instituto Alfa é algo que ela nunca esperou que existisse no mundo. Pelo menos não nesse. É o tipo de coisa que se vê em filmes, nunca na vida real. Você não sai por aí num passeio amigável de carro, o carro quebra e você tem o poder de levita-lo só com a mente ou o seu passageiro tem visão laser. A Colecionadora vê isso com olhos de uma criança que acabou de nascer e tudo lhe é tão interessante e brilhoso. Ela segurou a garrafa que lhe foi entregue e logo bebeu. Não queria ter que olhar para Cassie, porque saberia que se sentiria mal se o fizesse. Devolveu os óculos sem se opor, ouvindo o discurso tedioso dele. Pelo menos temos rum, pensou, deliciada. Anastasia não seria louca de contradizer o homem. Antes mesmo de ficar sabendo, antes mesmo que ele dissesse, estava bem claro que ele não era um homem normal. Quando ele disse que os dons eram maldições, aí sim, Anya virou o rosto para Cassie e a viu de olhos fechados. Para ela, certamente, deve ser.
E apesar do papo tedioso e da cara de louco dele (aqueles que a sua mãe te diz milhões de vezes para não falar com, quando no meio da rua), Witte estava gostando das perguntas dele. Oratória era algo que o pai de Anya dava muito valor, e ele fazia ótimos discursos. Conseguia convencê-la de que ela precisava lavar os pratos sem que ela nem percebesse. Até ela crescer um pouco e saber o que ele estava fazendo, é claro.
Tomou mais um gole do rum, sem cerimônias, balançando a cabeça negativamente. - Tá dizendo que você pode fazer isso? Pode ajudar no poder dela? - Anya perguntou, descrente. O rum está começando a lhe dar coragem demais.Estava anoitecendo. Ryan estava em sua sala no I.A. Resolvia alguns problemas burocráticos com o governo, finanças e afins. Bocejou e espreguiçou-se. Olhou pela enorme janela de vidro e pode ver alguns alunos que ainda estavam pelo jardim, alguns sentados lendo, outros simplesmente aproveitando o ar puro, ou até mesmo brincando. Apertou os olhos numa tentativa de tentar enxergar algo a mais. A luz da garagem estava acesa. Ele recordava que a Cassie tinha pedido permissão para mexer nos carros e ele tinha concedido, imaginou que a moça estaria lá. Em pouco tempo já estava no local. Achou estranho, faltava um carro, e por coincidência –ou não- era o mesmo que a aluna mexera há pouco tempo. –Não deve ter ido muito longe- sussurrou para si mesmo, tinha a mania de falar sozinho. Estava prestes a mandar uma mensagem telepática para a jovem, para isso era necessário localiza-la antes. Feito. Mas espere, Ryan localizou não apenas uma… Três mentes! Na estrada, longe do Instituto e para sua surpresa não eram todos alunos. –Yohann! – a verdade veio como um soco no estomago do Ryan. Um calafrio percorreu seu corpo. Como isso foi acontecer? Suas preciosas ovelhas prestes a ser devoradas por aquele lobo! “Não, não mesmo.” Pensou ele. Simons era muitas coisas, e principalmente protetor –Rebecca que o diga- mexa com ele, pode mexer, mas não chegue perto da sua família nem muito menos de seus alunos. Sem perca de tempo, ele correu para um lugar mais discreto do Alfa e usou sua telecinese e voou. Voar não era a sua especialidade, de jeito nenhum, porém foi o mais rápido que conseguiu. Antes de chegar ao local, Ryan bloqueou o seu campo psíquico para não ser percebido na sua aproximação. Colocou um campo de ilusão ao seu redor para se camuflar e aparecer “do nada” amava fazer isso. Ficou entre as árvores ouvindo toda conversa, observando aquela cena terrível. A pobre Cassie sem os óculos e temerosa, Anya bebendo! Ryan teve vontade de mata-lo, muita. “Filho da p…” pensou rápido. Aproximou-se devagar e desfez o seu campo ilusório de camuflagem. –Isso não é um assunto que trataremos aqui Cassandra. –Ryan respondeu um questionamento da garota e logo colocou as mãos nos ombros da mesma. –Hum, isso fica com ela, certo? –Assim que terminara de falar, tomou os óculos da mão do Yohann sem ao menos tocá-los, com sua telecinese, colocando-os no rosto da garota. –Pode abrir os olhos agora querida… – Depois virou-se para a Anya com aquele olhar dele, mas não estava bravo exatamente com ela e sim com aquele maníaco que estava do seu lado. –Eu posso? –Falou apontado para a garrafa de rum que a outra garota segurava, mais uma vez, a tomou. Ele não costumava fazer isso, mas quem o conhecia sabia que estava furioso. Mas sabia disfarçar perfeitamente bem. Passou o nariz próximo na ponta do gargalo e fez uma expressão de nojo. –Isso é do moço aqui… –Devolveu ao Yohann, mas sem tocar. Puxou a Anya para perto dele e se pos na frente das meninas. –Aposto que a conversa estava ótima! –o tom de ironia era escancarado.-, mas temos que ir crianças… –Ele falava com as meninas, mas não tirava os olhos nem por um mísero segundo, da criatura nefasta.
- Digam-me, estão ensinando-lhes bem a lidarem com seus poderes? Ou só o que fazem é com que sejam medíocres e controlem apenas partes insignificantes do que podem mesmo fazer? - A pergunta ecoou na mente de Cassandra. A menina não queria pensar a respeito, porém não foi imune ao veneno de cada palavra de Yohann. Pensou na conversa que teve recentemente com srta. Lively. Era possível aprender mais do que tinha aprendido nesses anos? Talvez.
- Gostarias de ver a lua sem que ela esteja banhada de vermelho, minha jovem? Ou também falaram que é impossível? - Aquilo acertou em cheio a garota. Cassandra não admitia a ninguém o quanto o seu poder a magoava. Tentava ao máximo não demonstrar o quanto o seu poder a magoava. Sentia-se fraca quando alguém a olhava com pena, com o tempo criou uma redoma de vidro em volta de si, jamais deixava transparecer seus medos e inseguranças. E agora, diante de Anya e o Yohann, sentiu-se prestes a chorar. A cada palavra dita por Yohann, sua redoma ia sendo destruída aos poucos.
- Tá dizendo que você pode fazer isso? Pode ajudar no poder dela? - A pergunta de Anya irritou Cassandra. Lembrou-se das inúmeras vezes que debocharam de seu óculos no colégio. Toda aquela situação não passava disso, um simples deboche, o homem de aspecto sombrio estava apenas zombando de sua fraqueza.
- Isso é impossível, Anya. - Disse exaltada. Se algo desse tipo fosse realmente possível, Rebecca a teria informado a respeito, certo? A mulher era uma das poucas pessoas do Alfa que sabia o quanto aquilo significava para Cassandra. Mesmo que a jovem não falasse abertamente sobre isso. Sentiu-se insegura. - Não é? - Esperou por alguma resposta de Yohann. Seria possível? Enxergar o mundo, encarar os olhos das pessoas e andar pela cidade sem receber olhares estranhos ou piadas estúpidas. Assustou-se com um barulho vindo de um dos lados da floresta. Sentiu um alívio imediato quando ouviu a voz de Ryan.
- Até que enfim. - Murmurou para si mesma. - Isso não é um assunto que trataremos aqui Cassandra. - A menina concordou em silêncio. Queria cobrar inúmeras explicações de Ryan, porém não era o local e nem a hora para isso. E se Yohann estivesse certo? De certo modo, seus poderes estavam sendo limitados, ao aceitar de livre e espontânea vontade ser rejeitada pela sociedade. Poderia fazê-los entender de outro modo. Com o seu poder. O Alfa era o único local onde os mutantes poderiam viver em paz. Ele era ao mesmo tempo uma salvação e prisão. Cassie abriu os olhos novamente e viu Ryan e Yohann. Anya estava ao seu lado. Desejou não por a culpa daquela situação em Anya. Mas foi em vão. Desviou o olhar da menina e encarou o chão.
Tá dizendo que você pode fazer isso? Pode ajudar no poder dela? - sorrio ao perceber a petulância na voz da garota. Pelas vezes que entornou a garrafa de rum sem receio algum, não é a primeira vez que bebe algo com teor alcoólico. Interessante.
- Você pode levantar um automóvel do chão e ainda tem dúvidas sobre o que é ou não é possível? - questiono, sem dar uma resposta direta. Ah sim, essa caminhada me proporcionou uma diversão fascinante. Não apenas uma, mas duas jovens mutantes com poderes distintos cruzaram meu caminho. E sei reconhecer quando há potencial. De fato, essas duas merecem mais atenção do que apenas uma lâmina cortando-lhes a garganta. Apesar de ser tentador. Posso ver que Cassandra está tensa, certamente considerando cada palavra minha. Será que deve confiar num homem que sempre lhe ensinaram a temer?
- Isso não é um assunto que trataremos aqui Cassandra. - o sorriso some completamente de meu rosto ao ouvir aquela voz. Não gosto de ser pego de surpresa, ainda mais por ele. Essa habilidade de ocultar a própria presença é deveras irritante, porém sou obrigado a admitir que foi uma entrada digna. O homem logo se coloca no comando da situação e afasta as jovens de mim. - Sempre um estraga prazeres, garoto. - não me importa se ele é um adulto ou não, tempo é irrelavante para mim. Ele devolveu os óculos para a garota e tirou a garrafa de Anastasia. Fez até mesmo uma expressão de desgosto ao perceber o que era o conteúdo da garrafa. - Isso é do moço aqui… - Sempre tão correto, não sei como essas crianças aguentam mais do que poucas horas no Instituto Alfa. Falta de opção, certamente. O mundo não as quer.
- Pois bem, o oficial da liberdade condicional de vocês chegou. - declarei, encarando-o. - Podem ir, o que estão esperando? - apressei-os com um sinal de mão. Perdi o interesse agora que ele está aqui. Uma luta? Fora de cogitação, qual seria o benefício? As duas meninas se engajariam e eu provavelmente teria que machucá-las, o que não seria totalmente uma pena, mas ainda assim um desperdício. - Se ainda estiver interessada em minha proposta, pode tentar encontrar-me neste mesmo local. - olhei para Cassandra com um sorriso dissimulado. - E é sempre um prazer ter companhia para beber. - não uma verdade completa, mas saudei Anastasia erguendo um pouco a garrafa de rum.
